05.04.10

5 Apr

Quem disse que a música não influencia a moda? Mesmo que despretenciosamente (ou não) esse 5 de Abril é um bom dia para falarmos do assunto. E um bem específico. No dia 5 de Abril Kurt se matou, o cara que é a CARA do grunge, o estilo musical (na verdade, mais que isso; quase uma filosofia de vida) que mais marcou o anos 90 virou ícone da moda.

De propósito? Podemos dizer que Kurt antecedeu a moda EMO quando pintou as unhas de preto lá nos anos 90? Será que Kurt ficava horas na frente do armário para se vestir? Acho que não. Mas acho também que de puro “feeling fashionista” não vivia um dos maiores rock stars do planeta.

Não é de hoje e nem vai ser pela primeira vez que você vai ler nesse blog que se vestir é uma das primeiras maneiras que encontramos para mostrar para o mundo quem somos, como pensamos; a que viemos. Imagine o contexto que Kurt estava inserido e o Nirvana acontecendo… nada mais normal que ele não fosse um cara assim… hmm…. “básico”. Certo?

E em pensar que tudo começou com os Chucks..

– Que porcaria de tenis é esse que esse cara usa o tempo todo?

Bom exemplo de como UM artista pode fazer literalmente uma MARCA. A Converse devia dever todos os seus royalties pra Kurt. Você ouvia Nirvana? Se identificava com as letras? Curtia o vocalista? Achava legal o jeito que ele tocava e interagia no palco? Ia nos shows? Então você usava um Converse Chuck. Um All Star, como chamamos aqui no Brasil. É assim que funciona: se eu não posso ser você, eu vou ficar o mais parecido que eu consigo. Usar o tenis que você usa já me deixa sentir um pouco mais próximo a você e MAIS AINDA: mostra para o mundo que, neste caso, eu gosto de Nirvana. De grunge.

Não há dúvidas que a MÚSICA era o mais importante. Independente dos chucks, do quanto “excêntrico” o vocalista da banda podia ser, o SOM era o que unia uma massa de pessoas a pensar da mesma maneira e a agir do mesmo modo. Depois de uma época completamente FOOLISH nos Estados Unidos, vindo de uns anos 80 muito POP em que a juventude perdeu o por que de ser, em que a rebeldia não fazia mais sentido algum para o país; Kurt influênciado pela cena underground grunge de Seattle como Sonic Youth, Mudhoney entre outros levou o Nirvana pra frente: para o mainstream. O que estava limitado para poucos ia ser o single mais vendido nos EUA. O rock voltou a ser música das massas. E com liberdade total! O Nirvana não se permitia censuras.

Quando digo que o ROCK  morreu junto com Kurt, com o Nirvana, com o grunge quero dizer que o “querer ser diferente”, o “não estar aqui pela fama”, a angústia e o verdadeiro desejo pela liberdade morreram com eles. E tudo isso só podia ter acontecido com o Kurt Cobain, com o Nirvana, naquela cidade, década, naquele momento histórico. Nada daquilo podia ter acontecido e se tornado o que se tornou em outro momento. A famosa frase “everyting happens for a reason” é o clichê que mais se aplica na música: uma coisa só pode ter acontecido pois a outra aconteceu antes e assim por diante. Por isso, não fiquem magoados quando posto no twitter que o rock morreu, aquele rock morreu sim e um outro rock surgiu. Um menos relevante? Quem sou eu para julgar! Mas que depois do grunge, o único estilo músical realmente indepentende que a MINHA GERAÇÃO vivenciou, não surgiu nada igual, não surgiu.

E sabe o que me deixa mais triste? Saber que enquanto eu estiver viva talvez nada parecido aconteça. Nós, infelizmente, somos da geração Y e não da X.

5 Responses to “05.04.10”

  1. camiandreoni April 5, 2010 at 6:18 pm #

    Muito bem Carlita! Beautifully said and explained.
    Espero que bastante meninada leia seu post sobre Kurt, Rock, Grunge, Atitude e All Star.
    Já ouvi por aí que “Converse é tênis de velho que quer parecer jovem.” HAHA Morri mil vezes, mas a maioria delas foi pela juventude que não tem ngm de interessante pra se inspirar.

    Nessas horas penso: AINDA BEM QUE FAÇO 30 ANOS EM 5 DIAS!

    C.

  2. Henrique April 6, 2010 at 2:33 pm #

    sad but true

    geração Y explicada para as corporações aqui
    http://bit.ly/cxSzlZ

    xxx

  3. Lucas April 7, 2010 at 4:39 pm #

    calma carlinha… você ainda não morreu e essas revoluções culturais costumam acontecer quando menos esperamos.

    eu, por exemplo, sou da geração que era criança quando aconteceu o grunge. não tenho ligação sensorial ou emocional direta com o movimento, e minha adolescência, vivida no início do século XXI, foi meio que de rejeição a uma certa nostalgia melosa que se tinha do grunge.

    atualmente, porém, consigo compreender melhor [não plenamente – pelo menos ainda] tal movimento, assim como a dinâmica social que faz movimento x estar mais em voga que y. e aí partindo para os termos de gerações, sou definitivamente da geração y – cresci em deslumbramento com as evoluções tecnológicas. porém, meus pais foram de uma geração que nem tem letra generalizadora [eles definitivamente não foram yuppies] e, talvez, isso tenha me dado um senso crítico melhor do meu tempo e espaço.

    por isso ainda acredito na geração y, que pode não ter o romantismo da x, mas aceitou melhor essas revoluções tecnológicas e hoje é capaz de utilizá-las de formas extremamente criativas! vejamos os blogs, os orkuts e facebooks, youtube e twitter e a facilidade com que nós assimilamos essas novidades. vejamos o fim dos gêneros limitados pelo pensamento XY da genética – possibilitador do atual gay-boom! vejamos a lady gaga!! hahahaha

    enfim, adorável comentário sobre o grunge, ele me inspirou a pensar em todas essas coisas. adoro você, beijos!

  4. Leonardo Chaves April 21, 2010 at 5:19 pm #

    velhos tempos q não voltam mais…e pensar q o q temos hoje é Lady Gaga. Blergh!

  5. Lili April 5, 2011 at 6:59 pm #

    17 anos se foram…

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